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José Maria Philomeno: As duas propostas para a Economia

Os dois candidatos que disputarão o segundo turno da eleição presidencial no próximo dia 28, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, tem, cada um agora, a árdua missão de convencer a maioria do eleitorado de ser ele aquele com mais capacidade em dar uma resposta imediata à grave e prolongada crise econômica, que há quatro anos tem suprimido milhões de empregos, afugentadoinvestimento e provocado a queda na renda e na capacidade de consumo de todas as classes sociais.

E para tal, assim como nos demais temas relativos a questões políticas, ideológicas e de costumes, nas propostas sobre a políticaeconômica e gestão pública, os candidatos situam-se, também, em campos diametralmente opostos. A dicotomia esquerda-direita nunca esteve tão acirrada como nesta eleição. Fazendo com que os rumos da nação para os próximos anos possamseguir caminhos muito distintos, a depender da decisão final do eleitor.

Por exemplo, para o presidenciável Fernando Haddad, a presença de mais Estado na economia é peça-chave para reativar a economia, com a mão forte do governo induzindo a queda dos juros aos consumidores, mais investimentos com uso de bancos públicos e mais recursos aos programas de transferência de renda. Na esfera tributária pretende aumentar a faixa de isenção do Imposto de Renda, tributar mais os bancos e regulamentar a taxação das grandes fortunas.

O petista ainda defende revogar a reforma trabalhista e a emenda constitucional do teto dos gastos, além de controlar a entrada de capital especulativo no país.

  Do outro lado da disputa, o programa do presidenciável Jair Bolsonaro propõe um modelo de mantra ultra liberal montado a partir da redução do Estado, como caminho para a retomada da atividade econômica de prevalência do livre mercado. Defende privatizações de quase todas as atuais empresas estatais e um corte drástico dos gastos do governo, com a redução dos atuais 29 ministérios para 15. Pretende a manutenção do tripé econômico de câmbio flexível e metas fiscal e de inflação. E, como forma de incentivar a geração de empregos, ampliar a reforma trabalhista, com a criação de uma nova carteira de trabalho.

Mas a principal critica destinada a ambos os candidatos está no fato que nenhum dos dois programas deixar claro como recuperar as contas públicas – o que é entendido como o mais urgente problema a ser enfrentado pelo próximo presidente. Da mesma forma as reformas tributárias prometidas pelos dois candidatos se mostram inviáveis, já que as duas prometem desonerações em excesso sem apontar fontes factíveis de recomposição da arrecadação.

Ou seja, apesar de muito distantes do ponto de vista substantivo, as duas propostas se assemelham pela forma simplista que se apresentam, visando à conquista de nosso valioso voto.

 José Maria Philomeno é advogado e economista

     

pab

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