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Régis Barros: “Snipers” contra a violência

“Ei menino branco o que é que você faz aqui
Subindo o morro pra tentar se divertir”
(Renato Russo)

O governador eleito do Rio de Janeiro anunciou que mobilizará “snipers” para atuar em operações nas favelas e eles terão a chancela de abater, segundo o governador, qualquer indivíduo que for avistado com um fuzil na mão. Aí, nós temos um discurso forte e de grande repercussão numa sociedade amedrontada pela violência. Claro que o impacto de uma fala dessas é forte. Alguns vão ao êxtase e pensam que “agora vai”. Sim, eu aceito a tese inicial de que alguém, que tem um fuzil nas mãos, não deseja declamar poesia. No entanto, questiono se esse é o caminho e como será feito nos equívocos. Em outras palavras, atingir, certeiramente, traficantes findará a violência? Abater portadores de fuzis trará segurança? Agir dessa forma bloqueia a cadeia corrupta do narcotráfico que envolve, inclusive, segmentos das forças de segurança, políticos e o Estado? O confronto com abates trará recuo dos atos criminosos desses sociopatas ou retroalimentará a violência com contra-ataques? E nos acasos em que os guarda-chuvas e furadeiras forem “confundidos” como fuzis, como faremos? Confesso que não sou especialista em violência urbana e segurança pública, portanto sou leigo a opinar tecnicamente sobre essa medida. Mas, sou uma pessoa inquieta e que gosta de pensar. Desse modo, fico a refletir sobre essa escolha e trago, aqui, essa reflexão a todos. Por fim, não percebi nenhum candidato propor uma revolução na educação e de inclusão social nas favelas. Seria esse um caminho? Será que, com isso, diminuiríamos o número de jovens com fuzis nas mãos? Acredito que o IML trabalhará mais. Talvez, essa seja a certeza única em tudo isso.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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