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Régis Barros: Ame-o ou Deixe-o…

Hoje, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) soltou vinhetas com músicas que reportam ao período da Ditadura Militar fazendo, ao final, menção ao célebre slogan ufanista “Ame-o ou Deixe-o”. Para quem acredita que a história brasileira tem uma roupagem de descrição “esquerdista” ou “comunista”, recordo que o período em que tal slogan surgiu foi permeado por prisões arbitrárias, interrogatórios sob a égide da tortura, desaparecimentos e mortes. Desse modo, o que interpretar sobre essa campanha publicitária do SBT? Certamente, quem a acha linda e quem vangloria tal sofrida época da história brasileira falará que, novamente, eu sou radical ou que não entendi o contexto ou que enxergo os fatos com um olhar “PTista”.

Não meus amigos!

O que poderá acontecer no Brasil não será um mero erro interpretativo de quem, tal qual igual a mim, olha para os fatos em curso. O mundo nos observa com olhos incapazes de entender o que acontece e o que está prestes a acontecer. Minorias questionadas pelas maiorias com o apoio do Estado. Truculência nas relações e liberdade para o uso da força, inclusive com armas de fogo. Forças policiais com carta branca para matar e abater. Professores esmagados e atacados moralmente por serem percebidos como “doutrinadores”. Opositores ameaçados em falas públicas dos novos agentes políticos. E, agora, resta a quem for crítico ao governo amar o Brasil e ficar ou deixá-lo sob a conclusão cretina de que não o amamos.

O que está acontecendo não é uma fantasia ou um erro interpretativo ou um vídeo editado para se propagar ideias. Tempos duros, infelizmente, estão se evidenciando. A camisa da campanha diz: “meu partido é o Brasil”. Talvez, o slogan mais apropriado seria: “meu Brasil será partido e apartado”.

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/11/sbt-ressuscita-brasil-ame-o-ou-deixo-o-em-nova-vinheta.shtml

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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