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Vergonha alheia em dose tríplex. Por Arruda Bastos

Na última semana, um tríplex de fatos fizeram com que muitos brasileiros como eu, e até mesmo inúmeros que votaram em Bolsonaro, tivessem uma sensação de decepção e desalento com as primeiras declarações, indicações do presidente eleito e entrevistas dos escolhidos.

Resolvi, então, listar, de início, três fatos envolvendo as primeiras medidas anunciadas, bem como alguns pronunciamentos dos agora empavonados futuros ministros e outras assertivas de componentes da nova gestão federal e de pessoas que defendem posições esdrúxulas do novo mandatário.

Como primeiro dos tríplex, cito as últimas declarações do todo poderoso Juiz de Férias, Sérgio Moro, e já confirmado Superministro da Justiça, em entrevista coletiva concedida à imprensa e que me deixou envergonhado e, como se diz no popularcom vergonha alheia.

Vergonha alheia é uma locução da língua portuguesa que define o sentimento de vergonha que uma pessoa sente ao testemunhar algo que outro indivíduo disse ou fez; o ato de sentir vergonha pelo próximo.

Questionado por um jornalista sobre como ele se posiciona diante do fato de que Onyx Lorenzoni, escolhido para ser Ministro da Casa Civil, que confessou ter recebido da JBS uns “caraminguás” para sua campanha eleitoral por meio de caixa 2, Moro respondeu: “Ele já admitiu e pediu desculpas”.

O futuro Ministro Moro demonstrou adotar certa flexibilidade em seus critérios sobre a gravidade do uso de Caixa 2, dependendo, claro, de quem é o protagonista da ação. Moro agora é admirador de Onyx Lorenzoni, que é réu confesso de diversos crimes. Na mesma coletiva, Moro também afirmou que nunca perseguiu o ex-presidente Lula, condenado por ele e arrancado da disputa presidencial que venceria.

O Senador Roberto Requião (MDB-PR) também sentiu vergonha alheia e apresentou de imediato projeto de lei, inspirado na entrevista de Moro, que visa conceder perdão judicial em caso de crimes eleitorais, crimes contra a administração pública ou contra o sistema financeiro nacional, desde que o réu atenda às seguintes condições: I – demonstre arrependimento; II – confesse a prática do crime; e III – apresente pedido público de perdão e de dispensa da pena.

Embora seja inspirada em Moro, a lei foi batizada “Lei Onyx Lorenzoni” em homenagem ao futuro colega de governo do magistrado da lava jato. A entrevista de Moro, pelo visto, vai para os anais das mais constrangedoras declarações de um magistrado na história do Brasil.

Como segundo tríplex, vem a exumação pelo SBT, grupo de comunicação do lambe botas Silvio Santos, do Brasil, Ame-o ou Deixe-o”, slogan síntese da ditadura militar de 1964: para quem não estivesse com eles, cadeia ou exílio. Bolsonaro disse a mesma coisa, com outras palavras. Aí a vergonha alheia foi grande também.

Como terceiro tríplex, vem a defesa de alguns energúmenos do indecoroso projeto “Escola sem partido, conhecido nos meios estudantis como “Escola com Mordaça”, que representa uma doutrinação e silenciamento dos professores, alunos e da própria História. O nível de argumentação de quem defende o projeto é de causar vergonha alheia ao extremo.

Sei que não vão faltar temas para minhas futuras crônicas e artigos, por isso vou terminando por aqui já sabendo que, como no governo Temer, e agoracom ainda mais subsídios, muitas sagas bizarras ainda vou escrever.

Arruda Bastos é médico, professor universitário, escritor, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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