Home > Destaque > Nota de repúdio ao manifesto de entidades médicas na indicação de futuro ministro da saúde de Bolson

Nota de repúdio ao manifesto de entidades médicas na indicação de futuro ministro da saúde de Bolson

*Nota de repúdio ao manifesto de entidades médicas na indicação de futuro ministro da saúde de Bolsonaro*

É com grande consternação que a *Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares* e o *Médicos e Médicas pela Democracia* vem a público manifestar o seu repúdio a uma carta que está circulando nas redes sociais, supostamente em nome do conjunto dos médicos brasileiros, em defesa da indicação do presidente da AMB, Lincoln Lopes Ferreira, para o Ministério da Saúde do governo Bolsonaro.
O manifesto é assinado por presidentes de sociedades de especialidades médicas, FENAM, FNM e AMB, as quais se mostram esperançosas em resolução por parte dp governo Bolsonaro dos males que aflingem a saúde.
É curioso que em muitas dessas entidades, tal debate foi sequer colocado no interior de suas diretorias. Além disso, notar que não consta a assinatura de médicos vinculados a altos postos do CFM (Conselho Federal de Medicina), o que indica uma divisão na corporação médica, tendo uma parte articulado-se diretamente com Bolsonaro na indicação do deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-GO), investigado por tráfico de influência e fraude, para o Ministério da Saúde, dando sustentação ao loteamento de cargos no governo. Também é sabido que outros nomes estão sendo sondados, a depender do grau de desgaste do postulante, como o de Henrique Prata, Nelson Teich, e David Uip.
Bolsonaro é sabidamente defensor da EC 95 que congela durante 20 anos os investimentos nas áreas sociais, incluída aí a saúde. É aliado de Michel Temer, em qual governo deteriorou as condições de vida da população com aumento do desemprego, da carestia e da mortalidade infantil. É apoiador da reforma trabalhista e da previdência, medidas que prejudicam o conjunto da classe trabalhadora, incluído aí nós médicos. Não se trata de música para nossos ouvidos, mas de uma perversidade sem limites contra os direitos do Povo Brasileiro.
A Associação Médica Brasileira (AMB) historicamente teve uma postura de aliança com o setor privado contra a universalização do direito à saúde e à implementação e consolidação do SUS. Fez coro com o empresariado durante a Assembleia Nacional Constituinte na Comissão Nacional de Reforma Sanitária. A atual gestão, “AMB sem partido”, assumiu a entidade num processo eleitoral turbulento e judicializado e possui como agenda a desregulamentação do setor privado da saúde, verdadeiro “negócio da China” em que planos de saúde, hospitais privados e indústria farmacêutica nadam de braçada; fim do Programa Mais Médicos para o Brasil, o qual vem sendo paulatinamente desmontado por michel Temer; e o cadastro universal de médicos.
Com isso, tal manifesto visa a manutenção dos privilégios das sociedades de especialidades, verdadeiras “corporações de ofício medievais” que operam no sentido da reserva de mercado e do subjugamento das demais frações da categoria médica, das demais profissões da saúde – algo completamente distante de um “governo de união nacional”. Representa também o desprezo pelas demandas populares e pelo Sistema Único de Saúde, o qual não é citado uma única vez no texto. Demonstra interesses mesquinhos de parte da corporação médica em sua ansiedade na disputa de quem irá operar o projeto liberal-privatista na saúde do país.

*Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares*
*Médicas e Médicos pela Democracia*

pab

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *