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Arruda Bastos: O “Mais Médicos” e o retorno da ladainha de sempre

Depois de cinco anos de calmaria com o Mais Médicos funcionando e com a atenção básica suprida com profissionais, voltamos, por culpa do presidente eleito, à estaca zero de 2013, antes da implantação do programa. Falta de médicos nas aldeias indígenas, no interior, nas cidades pequenas e nas periferias.

Em 2013, os municípios não conseguiam médicos para suas equipes, mesmo com salários incompatíveis com a realidade das prefeituras. O governo federal tentou, sem sucesso, alternativas, como o PROVAB, que bonificava com pontos na prova de residência, médicos que passassem um ano trabalhando no interior.

Outras propostas, como alterar o currículo dos cursos de medicina tornando obrigatório o trabalho na atenção básica, o serviço médico no interior para formados em instituições públicas, foram logo bombardeadas no seu nascedouro por representantes da categoria.

A ladainha era “o Brasil tem médicos e eles não vão para o interior por falta de condições. É só investir e fica tudo resolvido. A população que sofre e suas doenças podem esperar”. Só que não, e o governo, a pedido da Frente Nacional dos Prefeitos, instituiu o Mais Médicos como medida emergencial.

Nos últimos anos, observamos uma redução da necessidade da ajuda humanitária do Mais Médicos do convênio com a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde). Havia 11 mil médicos de Cuba no início do programa e o número reduziu para 8.500 esse ano. Para qualquer governo responsável, era só esperar alguns anos para acabar com o programa.

A Lei do teto dos gastos de Temer, que congelou os recursos por vinte anos, dificultou ainda mais os investimentos em saúde. Mesmo assim, o programa teria fim, só que, para isso, seria necessário um tempo maior do que o inicialmente planejado.
Hoje, com a inviabilidade do Mais Médicos, as mesmas entidades vêm com a ladainha de sempre: “vamos investir que os médicos aparecem no interior” e também com a ideia de transferir para os médicos militares a solução do problema. Interessante que essas entidades apoiaram a Lei do teto de gastos de Temer.
Vamos evoluir, minha gente, ficar na mesma ladainha de sempre, nessa conversa mole, chata, entediante, repetitiva, não interessante, na qual já se sabe o que vai ser dito, não dá em nada e nem resolve o problema. O nosso povo não é otário.
Mudem o disco, de opinião; tomem vergonha na cara e assumam suas responsabilidades como participantes no caos instalado. O ato de inviabilizar o Mais Médicos foi feito por um governo eleito que vocês defendiam, transferindo para vocês também a cumplicidade com suas medidas de lesa pátria.

Arruda Bastos é médico, professor universitário, ex- Secretário da Saúde do Ceará e membro do movimento Médicos pela Democracia.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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