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Arruda Bastos: A tutoria dos hipocondríacos

Sempre na conclusão do semestre, as turmas de tutoria do curso de Medicina da Unichristus comemoram o final do período com uma confraternização entre alunos e professores. É a oportunidade de, em clima de descontração, agradecermos por toda convivência e pelos mútuos ensinamentos recebidos.

Embora o “ensinando e aprendendo” não seja o slogan da Unichristus, ele está cada vez mais presente e vivo no relacionamento diário entre professores e alunos da nossa instituição. A novidade desse ano foi a incorporação de novos e competentes professores ao nosso já seleto quadro docente.

Depois de um semestre com muito trabalho só mesmo um momento como esse para recarregar as baterias dos calejados professores, grupo no qual me incluo, e dos noviços, que também não são de ferro, embora ainda com pouca rodagem na nobre arte de Paulo Freire.

O ano de 2018 foi, sem dúvida, especial. Os alunos se superaram nas festas e homenagens. Pelas glamorosas fotos postadas no WhatsApp, encontramos professora sendo justamente coroada como rainha, união das torcidas do Leão e Vovô, além de outras aconchegantes confraternizações com temas diversos.

A minha tutoria, seguindo uma tradição de muitos anosrealizou escrutínio para a escolha do tema. Já festejamos o fim do semestre com o tradicional Natalno meio do ano, com quadrinha junina; radialistalembrando minha faceta na comunicação e em 2014, o alvinegro de Porangabussu, para me agradar, como torcedor do Vozão.

Nesta semana a votação me surpreendeu, pois o tema vencedor foi “Hipocondríaco”. Como sempre, acatei na hora, mas fiquei pensativo por alguns minutos matutando de onde teria saído a inspiração para esta escolha. Não encontrando o motivo, passei a refletir sena avaliação comportamental, algum aluno tinha transparecido esse estado psíquico.

Continuando sem resposta e para resolver o dilemaperguntei para a aluna que tinha sugerido o tema a origem da indicação. Qual não foi minha surpresa quando todos os alunos responderam de uma só vez e com sorriso nos lábios: do Professor, pois nos casos da tutoria o Senhor sempre comenta que já apresentou algum sintoma ou realizou aquele exame.

Os alunos notaram que fiquei surpreso e, para não me deixar sozinho e encabulado como o inspirador do tema, outro aluno falou que era hipocondríaco tambémE depois outros o seguiram. No final, quase a totalidade, demonstrando que com os rebuscados casos da tutoria do 4º semestre, todos nós, em alguma medida, transparecemos hipocondríacos. 

Para concluir, e homenageando os colegas, alunos e a coordenação, transcrevo trecho do poema “Exaltação de Aninha” do livro “Vintém de Cobre” de Cora Coralina que diz: Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina / O saber se aprende com mestres e livros / A Sabedoria, com o corriqueiro, com a vida e com os humildes / O que importa na vida não é o ponto de partida, mas a caminhada / Caminhando e semeando, sempre se terá o que colher. 

Boas férias a todos!

*Arruda Bastos é médico, professor e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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