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Arruda Bastos: O primeiro natal do meu netinho Lucca

Para muitos adultos e a maioria das crianças, o natal é representado pelo Papai Noel e a data não tem a menor graça se não vier acompanhada de presentes e festas. A supervalorização do bom velhinho é evidente e a sua relação com o consumo é turbinada pelos reclames de televisão desde o meu tempo de criança. Já a figura do Jesus Menino é até certo ponto esquecida.

Constatei esse fato quando participava da primeira festinha de natal do meu netinho Lucca, de 04 meses de idade. Observei a força da imagem de Noel logo ao chegar com Marcilia no condomínio da minha filha Lívia. As crianças não paravam de correr e perguntar quando Papai Noel ia chegar e até notei que os lindos olhos azuis do meu mais novo herdeiro pareciam brilhar de forma diferente.

Observei que, à medida que o tempo passava, a ansiedade das crianças aumentava. O relógio denunciou que o velhinho não era pontual e seu atraso de quase meia hora só fez crescer a algazarra e as minhas lembranças do tempo que meus filhos eram crianças. Para completar, acredito que na ânsia de ver Papai Noel, Lucquinha se engasgou e depois vomitou no colo da minha filha.

Depois de alguns minutos, do asseio e da troca de roupa do meu netinho, o aguardado personagem, acompanhado de sua esposa, a Mamãe Noel, chegou. Ele não veio no seu trenó puxado por renas, mas sim em uma possante e personalizada moto de mil cilindradas. Com o barulho do veículo, todas as crianças e até Lucca, agora no colo do meu genro Evalto, desceram do salão para recebê-lo na portaria do prédio.

Ao retornar ao local da festa, e agora já na condição de anfitrião do casal de velhinhos, observei que o sono estava por vencer meu netinho, pois suas pálpebras teimavam em querer fechar e suas mãozinhas esfregavam seus lindos olhinhos com frequência. Parecia até que o esforço da espera e a alegria de ter visto Noel pela primeira vez em sua casa foi demasiado para ele.

Refletindo, cheguei à conclusão de que o espírito de Noel existe e não está só nas renas, no trenó, nas motos personalizadas, nas fotos e nem mesmo nos presentes; ele está principalmente nas crianças, nos seus sorrisos, na alegria de cada uma e na inocência de suas almas.

Na festinha, constatei também que o bom velhinho não faz só a alegria dos pequeninos. Na nossa mesa, os avós paternos do Lucquinha, Evalto e Maria, ficaram extremamente emocionados com a presença de Papai Noel e refletiam nos seus olhos a alegria daquele natal com o seu primeiro netinho.

Almejo que essa singela crônica possa contribuir para que um número maior de crianças receba presentes e tenham momentos de alegria nesse natal. Lembro que, nas nossas casas, estamos repletos de brinquedos. Que tal os distribuir pela cidade para famílias carentes e orfanatos? Seria uma forma de nos sentirmos Papai Noel por um dia.

No natal, muitas vezes nos esquecemos do real significado da data, o nascimento de Jesus. Devemos fazer nossas orações e novenas. Rezar pela conversão do mundo, pela paz, por melhor distribuição de renda e por justiça social. Com esse espírito elevado e inspirado na alegria dos meus lindos netinhos Letícia, Levi, Lucca e Lara, desejo, finalmente, que o espírito natalino traga para todos nós, de uma vez por todas, a fé inabalável daqueles que vivem em Cristo. Feliz Natal!

*Arruda Bastos é médico, professor universitário, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e um quase Papai Noel.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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