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Arruda Bastos: De vovô a Papai Noel

Meu saudoso pai nunca deixou sua barba crescer. Muito pelo contrário, o objeto que não deixava faltar lá em casa era um barbeador e uma caixa de lâmina Gillette Super Azul Inoxidável, a mais moderna da época. O seu bigode, sim, era bem cuidado e representava muito do seu charme, que, inclusive,herdei, modéstia a parte.

No aspecto da barba, não puxei ao papai, pois, já hámuitos anos, deixo-a crescer de forma comportada,sem ultrapassar alguns centímetros. Aqui em casa,não tenho barbeador e nem os descartáveis prestobarba. Digo que meus pais nunca aprovaram muito meu visual, já Marcilia só não aprecia quando a barba fica maior.

Com o nascimento dos meus netos e depois que me tornei um escritor contumaz, tenho deixado minhabarba crescer em demasia. A única explicação que tenho é a necessidade de ficar com uma aparência mais velha para que meus netinhos não sejam confundidos com os meus filhos, e de ser reconhecido como experiente nas letras na Sociedade Brasileira de Médicos Escritores. O certo é que, independente do motivo, o que importa são as consequências.

Com a barba crescendo e sua cor branca ficandomais evidente, eu passei com mais frequência a lembrar do natal e da figura do Papai Noel quando me embelezava no espelho. Meus netinhos também,quando aqui em casa, ao acariciarem minha vasta barba de forma carinhosa diziam “o vovô está parecendo com o Papai Noel”.

O carinho dos meus netinhos Letícia, de 6 anos, e Levi, de 4, estimulou-me a continuar sem cortá-la, mesmo a contragosto da minha amada Marcilia.Agora, em 2018, com o nascimento do Lucca e a gravidez da minha nora Laís, a barba tende a continuar, pois Lara, que vai nascer em abril do próximo ano, não pode chegar ao mundo sem visualizar na sala de parto seu avô como dublê de Papai Noel.

Para passar o natal deste ano já encarnando a figura do bom velhinho e com meus quatro netos, minha filha Lívia produziu, no aplicativo Pic-Collage, uma foto com todos os meus pequeninos fãs. Observando bem o retrato, o gorro, a vestimentavermelha e a barba branca, fiquei um Papai Noel de primeira. Meu barbeiro, Igor, da Barbearia Vip, vai ter que se contentar só mesmo em dar uma aparada de vez em quando em alguns fios rebeldes.

 Levando em conta os comentários de apoio nas redes sociais e dos meus netinhos, em mais um ano eu passo de imitador de Noel ao próprio velhinho. Acho que é uma idéia que vou avaliar, mesmo sabendo que é só brincadeira. Mas, quem sabe, com minha veia artística, a globo pode até me contratar para representar Papai Noel em uma de suas futuras atrações.

Que neste Natal aquela magia guardada durante todo o ano venha como presente nos corações daqueles que festejam o amor, a fraternidade, a solidariedade, a paz e a fé no Menino Jesus. Feliz Natal a todos!

 *Arruda Bastos é médico, professor universitário, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e um quase Papai Noel.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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