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José Maria Philomeno: Tendências da economia mundial em 2019

Se o Brasil – por seus próprios erros- conseguiu a proeza de provocar a pior recessão de sua história no quadriênio de 2014 a 2018, com uma regressão no PIB de quase 9% no período, à contra mão da economia global que na mesma quadra expandiu-se em mais de 15%. Muito mais difícil será percorrer o caminho reverso, ou seja, impulsionar a economia a crescer contundentemente neste e nos próximos anos, contra a maré do resto do mundo, já que a economia global tende a entrar num ciclo de desaceleração a partir de 2019.

Estas expectativas vem sido alertadas por diversas instituições financeiras. Relatório recente do Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que após anos de crescimento relativamente robusto, é muito provável que ocorra uma desaceleração da economia mundial nos próximos anos.

O maior fator a indicar a desaceleração da economia global vem da China, cujo crescimento em 2019 ficará próximo a 5,5% – metade da média alcançada nas últimas duas décadas.

Outro fator preocupante pelo FMI vem da política monetária, visto que as taxas de juros muito próximas de zero nos Estados Unidos, Europa e Japão indicam que o espaço para estimular a demanda agregada é bastante reduzido.

Diante da perspectiva de desaceleração e do aumento percebido dos riscos, os últimos dois meses marcaram o início de um processo de reavaliação de preços de ativos e de aumento da volatilidade nos mercados financeiros. Daí os pontos que nos afetam diretamente. Pois carentes que somos de poupança interna dependemos demais da atratividade do capital externo, sem esquecer, é claro, que esta volatilidade tem também afetado o comportamento dos preços de commodities no mercado internacional.

Tanto que o próprio Donald Trump temendo os efeitos da avistada crise global desceu do seu onipotente pedestal, consentindo num cessar-fogo na guerra comercial que travava com a China, enquanto os dois países negociam um acordo que encerre a disputa após meses de tensões crescentes.

Se os Estados Unidos, detentores da moeda mais forte e da economia mais pujante do planeta – e que tem apresentado resultados excelentes nos últimos dois anos, tanto no crescimento quanto na geração de emprego -, estão muito receosos com o projetado declínio da expansão da atividade econômica do resto do mundo, quanto mais nós, de cujos últimos períodos de aceleração econômica se deram primordialmente impulsionados pela onda global de demanda por nossas commodities.

Desta feita, que o recém empossado Bolsonaro sigo o exemplo daquele em quem o próprio tanto exalta e se inspira, e, assim como Trump deixe de lado as retóricas jacobianas, que podem ser próprias para candidatos em campanha mas não para estadistas no poder, que precisam ter a capacidade de ceder e negociar em prol do que for melhor para o País.

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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