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Uma nova catástrofe ambiental

Uma novo desastre ambiental volta a cobrir de dor e lama uma cidade do interior de Minas Gerais. Pouco mais de três anos após o rompimento da barragem de Mariana, uma outra tragédia de natureza semelhante e proporções ainda a serem calculadas traz desesperança. Uma barragem da mina Feijão, de contenção de resíduos da mineradora Vale, se rompeu ontem na região de Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte. Segundo o Corpo de Bombeiros, até a noite de ontem, havia pelo menos sete mortos e 150 desaparecidos.

O total de vítimas pode ser muito maior, já que no momento da ruptura da barreira havia no local 300 funcionários e “não sabemos quantos foram acidentados porque houve o soterramento (do local)”, explicou Fábio Schvartsman, presidente da mineradora Vale.

Em poucas horas, Brumadinho se transformou em cenário de destruição, com casas, tratores e uma ponte sob a lama. Os bombeiros tentavam retirar a terra dos tratores para verificar se havia pessoas em seu interior. Por motivos de segurança, vários acessos à cidade, de 39 mil habitantes, foram fechados.

Construída em 1976, a barragem 1 da Vale acumulava 12,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério e não recebia material havia três anos. Não há informações sobre a causa do acidente.

A tragédia remeteu ao rompimento, em novembro de 2015, da barragem de Fundão em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, a 125 km de Brumadinho, que deixou 19 mortos e provocou uma enxurrada de resíduos que contaminou terras e águas ao longo do Rio Doce em Minas Gerais e Espírito Santo, até chegar ao mar. Aquela barragem pertencia à Samarco, empresa controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP-Billiton.

Nas ruas de Brumadinho, cidade mais conhecida por abrigar o Museu de Inhotim, o desespero podia ser visto nas ruas. Parte dos moradores teve de deixar suas casas, parte saiu em busca de informações de familiares e amigos. Ao lado do desespero, houve também solidariedade: vizinhos abriram suas casas e muitos se ofereceram como voluntários no socorro às vítimas.

“Estamos agoniados”, contou a dona de casa Márcia Oliveira, que esperava informações do irmão e sobrinhos. “Disseram pra gente vir para cá, mas não falam nada”, disse, em frente ao gabinete de crise, montado no centro do município pela mineradora. As famílias ficavam em uma quadra ao lado do local e equipes recolhiam nomes de possíveis desaparecidos.

A prefeitura pediu aos moradores que evitassem o leito do Paraopeba, rio que passa pela região e para onde os rejeitos corriam. Até o início da noite de ontem, os Bombeiros não confirmavam que a lama tivesse atingido o curso de água.

“A cidade está um pandemônio”, relatou Gerilda Dalabrida, 60. Para ajudar, ela cedeu espaço do restaurante para desabrigados. “Estamos seguros porque não estamos perto do rio. Não temos risco.”

A área mais atingida foi a comunidade da Vila Ferteco, local erguido na década de 1920 por causa das atividades de outra mineradora. Até esta sexta às 20h30min, a lama não havia chegado ao centro ou a Inhotim, que encerrou temporariamente as atividades logo após a tragédia.

Com agências

pab

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