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Brumadinho: uma tragédia anunciada. Por José Maria Philomeno

As chocantes imagens do rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho – MG, que a todos repugnou na última sexta-feira, 25/01, nos fez aflorar o sentimento de estarmos revivendo o trágico pesadelo que vitimou a também mineira cidade de Mariana, apenas 3 anos atrás.

Tragédia, aquela, também decorrente de rompimento de barragem de contenção da Vale, e que levou a vida de dezenas de pessoas, causando o maior desastre ambiental de nossa história. Avariando drasticamente a flora, fauna e o ecossistemas de uma área gigantesca – a qual levará décadas para se restabelecer. Afetando,também, o habitat e a atividade econômica da qual dependem milhões de pessoas. As cenas de Brumadinho sob a lama, com a constatação que as vidas pedidas podem chegar a mais de trezentas,nos inflamou de revolta e irresignação, por terem criminosamente deixado acontecer tudo novamente.

Inconcebível que, após o ocorrido em Mariana, não terem a potente mineradora e, também, o poder público em todas as suas instâncias e órgãos de regulamentação e fiscalização tomado as devidas providência no aperfeiçoamento dos protocolos de segurança para construção de barragens, e de redução dos riscos no caso da ocorrência de incidentes desta natureza. Por exemplo: a utilização de sensores capazes de captar, com antecedência, sinais do rompimento através da umidade e pressão da água sobre o solo, e o despovoamento e interdição de todos os trechos que pudessem ser afetados com um possível rompimento, são providências que, caso tomadas, teriam salvado centenas de vidas.

Especialistas em questões ambientais e pessoas que trabalharam na investigação do rompimento da barragem de Mariana não se surpreenderam com a reincidência em Brumadinho. Pois constataram após 3 anos de investigação que todas as barragens de mineração de Minas Gerais são tragédias anunciadas em função do sucateamento dos órgãos de fiscalização. E não há nenhum interesse do poder público em mudar esta situação.

Incompetência, irresponsabilidade criminosa e,principalmente, impunidade: são as marcas desta tragédia. A ‘poderosa’ Vale conseguiu a proeza de protagonizar em apenas 3 anos os dois maiores desastres ambientais na área de mineração na história mundial. E o nosso Brasil o ultraje de deixar impunes crimes desta magnitude. Em qualquer país sério agentes públicos responsáveis e os executivos da empresa estariam condenados pela Justiça. No mínimo a companhia já deveria ter pago multas bilionárias, o que não ocorreu. Aqui os envolvidos posam como se uma tragédia anterior não tivesse ocorrido.

Nessas condições, não será surpresa se novas tragédias voltem a acontecer.

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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