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Ricardo Boechat: uma voz incansável pela verdade

2019 mal começou e já está consolidado como um ano marcado por terríveis tragédias que ceifaram centenas de vidas, como o rompimento da barragem de Brumadinho, as enchentes no Rio de Janeiro, o incêndio no centro de treinamento do Flamengo, e, agora por último, o acidente de helicóptero que vitimou o jornalista Ricardo Boechat e o piloto da aeronave.

E o que mais provoca indignação, além, é lógico, da dor e sofrimento que as vidas levadas impuseram tanto aos familiares, amigos, mas também a todos nós, é o fato de que estes episódios foram fruto do descaso, da imprudência, e por que não dizer, da criminosa irresponsabilidade daqueles que omitiram-se em seu dever, ao não obedecerem as regras básicas de segurança – as quais fielmente seguidas teriam certamente evitado grande partes destes crimes. Sim, pois o que vimos foram crimes contra inocentes.

Mesmo o acidente de levou a vida de Ricardo Boechat foi protagonizado por um helicóptero que não detinha autorização para transporte de passageiros, o que só corrobora quão falha anda a fiscalização.

E, este grande brasileiro que perdemos, um notável jornalista que marcou sua vida e carreira pela destemida abnegação em levar sua voz a proferir a verdade incondicional ao público,Ricardo Boechat, possivelmente o mais respeitado e premiado dos jornalistas brasileiros. Que, pelo acaso do destino, teve o seu próprio trágico fim sincronizado à sua inarredável missão de protestar contra os desmandos e as injustiças, que dia a dia vitimizam a população.

Âncora na Rádio BandNews FM, ele havia dado uma palestra em Campinas (SP) e voltava para a capital quando a aeronave caiu. No início da manhã, horas antes do acidente, Boechat fez o habitual comentário diário na rádio. Colocando sua voz a serviço da profunda indignação que o acometeu as sucessivas tragédias que vêm acontecendo no Brasil, como Brumadinho e o incêndio no CT do Flamengo. Essa foi uma dasúltimas falas do jornalista a seus ouvintes: “Quando a gente chora, sofre, lamenta o fato ocorrido ontem, parece estar anestesiado ou gostar da anestesia que nos faz esquecer tão logo surja o fato de amanhã, que terá o mesmíssimo tratamento”, concluiu o jornalista em seu comentário na rádio.

O próprio Boechat destacou instantes antes da morte, na Rádio Band News: “A impunidade é o que rege e comanda a orquestra das tragédias nacionais”.

Deixamos por último uma de suas mais marcantes citações, que expressa toda sua abominação à injustiça: “A riqueza não iguala os homens, mas a miséria sim”

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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