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Venezuela: eleições livres é o único caminho. Por José Maria Philomeno

Temos assistido à mais grave tensão geopolítica protagonizada na América do Sul desde o final das ditaduras militares que dominaram o continente nas décadas de 60 e 70 do século passado. A cada semana, as crises política, econômica e humanitária que a Venezuela enfrenta parecem se agravar. Em janeiro, as turbulências ganharam ainda mais força depois de o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, se declarou presidente interino do país, ganhando apoio de grande parte da comunidade internacional. E no último final de semana as chocantes imagens de caminhões com doações de mantimentos sendo queimados pelosapoiadores do regime, na fronteira da Colômbia com a Venezuela, trousse ao mundo a certeza que o barril de pólvora no qual o país encontra-se minado estourou, e, que, se soluções negociadas não prosperarem, os venezuelanos caminharão para uma sangrenta e sofrida guerra civil.

A Venezuela atravessa uma depressão econômica que já dura mais de cinco anos, com recorde de desemprego, uma hiperinflação de já alcançou sete casas decimais, e mais da 60% da população levada à extrema pobreza. O país carece de tudo. Sem alimentos, medicamentos e gêneros e primeira necessidade, levou a mais de 4 milhões de venezuelanos (15% da população) a refugiarem-se em outros países vizinhos, fugindo da fome, da violência, da indignidade e da perseguição política.

Nicholas Maduro segue o ritual dos ditadores. Agarra-se ao poder como todas as forças que dispõe. Suprime direitos e garantias, reprime veementemente os adversários, cala a imprensa, desrespeita instituições e utiliza-se do aparato policial, militar e econômico sem piedade.

Por tanto só um entendimento intermediado por demais nações e organismos multilaterais poderá encontrar um caminho de paz e reordenamento político e econômico do País, visando salvar a Venezuela de um desastre ainda maior, que seria uma intervenção militar externa ou uma guerra civil.

Os 14 países que integram o Grupo de Lima se reuniram, nessa segunda-feira (25), em Bogotá, capital da Colômbia, para discutir sobre a crise na Venezuela e buscar uma solução para o conflito.

A manutenção do atual governo é insustentável. Daí impingem-se tratativas que proporcionem condições para uma transição pacífica.

Para tal só enxergo um caminho: a manutenção e ampliação da frente humanitária, de modo a acudir ao sofrimento do povo venezuelano, ao qual faltam bens tão básicos como alimentos e medicamentos, e do outro lado, para restabelecer a ordem institucional e política: a renúncia de Maduro, com convocação imediata de eleições livres e gerais, mediante regras justas e democráticas e sobre o crivo de observadores internacionais. Ou seja, através da devolução ao povo da palavra, e o povo escolherá sem limitações, exercendo, assim, sua soberania sobre seu destino.

 José Maria Philomeno é advogado e economista

 

pab

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