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José Maria Philomeno: O uso das mídias sociais por Bolsonaro

Foi-se o tempo em que os presidentes da República se comunicavam por pronunciamentosoficiais – muitos elaborados por marqueteiros, como nos tempos de Dilma Rousseff-, ou mesmo por entrevistas coletivas oficiais. Jair Bolsonaro inovou, adotando no governo o mesmo modelo utilizado em sua vitoriosa campanha eleitoral, do uso maciço das diversas redes sociais como meio de interlocução pública. Sua conta no Twitter é fonte de decisões governamentais, nomeação de assessores, críticas ácidas a adversários e à imprensa, e até trocas de farpas com seus próprios ministros são protagonizadas publicamente pelas redes sociais, como o episódio de culminou com a demissão do ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência.

De fato, a exitosa estratégia do candidato Bolsonaro, concentrando sua campanha nos diversos mecanismo de comunicação direta pelas redes sociais, como WattsApp, Facebook, Twitter, Instagram entre outros, – sobrepujando a inferioridade que dispunha nos meios tradicionais de propaganda (ínfimos 7 segundos na televisão), representou uma relevante mudança nos métodos de marketing político, que certamente remodelaráem definitivo as campanhas eleitorais daqui em diante.  

Considero até positivo o presidente Bolsonaro manter contato frequente com os seus 10,7 milhões seguidores no Facebook e 3,7 milhões no Twitter.Além da efetividade da comunicação, este contato direto humaniza a figura do presidente, que historicamente no Brasil é visto como uma autoridade inacessível, entronado e extremamente protegido nos domínios palacianos.

Entretanto, a de se destacar que até mesmomuitos assessores e aliados de Bolsonaro, como o vice-presidente Mourão e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, entre outros, o tem alertado que não obstante o caráter positivo das redes sociais, o momento agora é outro e carece de uma cautela e recato maior nas manifestações do presidente.

Amoldando à máxima futebolística, de que ‘treino é treino e jogo é jogo’, também, eleição é eleição e governo é governo. O que o candidato diz resume-se a ele e é relevado pelo caráter eleitoral, por outro lado, qualquer palavra do presidente compromete o governo e até o País, com reflexos nas relações e conjunturas políticas, institucionais e econômicas.

Não podemos abstrair o fato de que as mídias sociais, derivadas das inovações tecnológicas, se por um lado agregam inúmeras facilidades como auniversalização da acessibilidade de informações, conteúdos e da comunicação direta, por outro lado, temos que criar mecanismos para que estes recursos não sejam utilizados de forma abusiva e lesiva, como o são a proliferação das chamadas fakenews – utilizadas também em demasias no curso da última eleição presidencial.

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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