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Perder status especial na OMC deve trazer prejuízos ao Brasil

Perder status especial na OMC deve trazer prejuízos ao Brasil

Bolsonaro cede a Trump em troca de apoio para OCDE

Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O comunicado oficial da Casa Branca deixa claro que, em troca do apoio dos Estados Unidos para ingressar na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil terá de começar a renunciar ao tratamento especial e diferente que obtém na OMC (Organização Mundial do Comércio).

Isso parece um mau negócio para o Brasil. O apoio americano não garante a entrada na OCDE. Ajuda, mas não garante. E o Brasil teria de abrir mão de um status na OMC que lhe dá vantagens no comércio global. Ou seja, é uma troca melhor para as pretensões de Donald Trump do que para os interesses brasileiros que deveriam ser defendidos por Jair Bolsonaro, que concluiu hoje a sua visita à Washington na qual o “complexo de vira-latas” deu a tônica.

O acordo para ceder aos americanos o uso da base de lançamento de Alcântara (Maranhão) não prevê uso militar, segundo o comunicado da Casa Branca. Mas será preciso analisar os detalhes dessa parceria.

Se for para utilização da indústria aeroespacial, com transferência de tecnologia americana, pode ser um bom acordo. Se houver licença para uso militar, no sentido de base para operações na América do Sul, será um mau entendimento.

Bolsonaro foi dúbio em relação à questão venezuelana. Sugeriu que o Brasil pode dar algum tipo de apoio a uma intervenção militar americana para derrubar Nicolás Maduro. Isso pode ser desastroso e contraria o que pensa a ala militar do governo. É perigoso brincar de jogos de guerra.

O Itamaraty saiu menor dessa viagem. Presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deixou claro que é o chanceler de fato. O ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) se apequenou um pouco mais nessa viagem.

Bolsonaro tentou corrigir a desastrada declaração sobre migrantes que só desejariam fazer mal aos Estados Unidos, dada ontem em entrevista à Fox. Ele disse hoje que foi um “ato falho”. Também manifestou certeza de que Donald Trump será reeleito em 2020.

Enfim, foi um encontro de almas gêmeas. Trumpismo e bolsonarismo têm as suas diferenças, mas são fenômenos políticos autoritários e regressivos.

Como de costume, não faltaram fake news.

Bolsonaro disse que seu antecessores eram antiamericanos, o que é mentira. Tampouco há uma reaproximação entre Brasíila e Washington. A relação já era próxima. A novidade é o alinhamento automático e submisso do governo Bolsonaro à administração Trump. Ideologia pura.

pab

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