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Arruda Bastos: Temer é rápido, rápido como quem rouba

Publicado originalmente em 22/04/2017

Vivemos em um país cada vez mais violento em todos os sentidos. A violência aumenta em proporção exponencial e no ritmo da modernidade. Isso tudo devido à introdução de métodos informatizados, armas poderosas de fácil manuseio, meios de comunicação e transportes ágeis e velozes. Tudo no embalo da saga “Velozes e Furiosos”, que tem Vin Diesel como protagonista em seu personagem Dom. É tudo muito rápido, rápido como quem rouba.

Eu pertenço a uma geração na qual a fama de muitos bandidos dependia principalmente da sua habilidade com as mãos. Eram os famosos batedores de carteira, os descuidistas como tratados na esfera policial. Ladrão que se especializava e aproveitava a distração da vítima ou da sua falta de vigilância com seus pertences para perpetrar o crime. É tudo muito rápido, rápido como quem rouba.

Vou aproveitar minha crônica para explicar a arte utilizada por esses bandidos. Primeiro: eles sempre agem por debaixo dos panos, com jornais ou casacos escondendo o movimento das mãos, e procuram roubar pertences que ficam longe do corpo. Aproveitam sempre a atenção disputada e a nossa dificuldade de estar atento a mais de uma coisa, um esbarrão serve para disfarçar a ação. O marginal utiliza a outra mão invisível para roubar. É tudo muito rápido, rápido como quem rouba.

Outra artimanha do bandido é o roubo coletivo. O primeiro integrante para abruptamente na frente da vítima, que recebe uma trombada por trás do descuidista, que efetua o roubo. Ele passa a carteira para um terceiro integrante, que se afasta rapidamente. Em outras oportunidades, ele é ajudado pela vítima que inadvertidamente sabendo da existência de roubos, acaba indicando o bolso onde guarda valores. É tudo é muito rápido, rápido como quem rouba.

Com os parágrafos anteriores, chegamos a conclusão que o importante para os bandidos é a rapidez com que atuam, a distração que provocam, a associação criminosa com outros salafrários e muita das vezes o apoio das próprias vítimas que como pato caem no conto do vigário ou da sereia, como é dito popularmente. Esse meu texto está ficando a cara do país político de hoje. É tudo muito rápido, rápido como quem rouba.

O que estamos vivendo no Brasil é uma escalada de ações voltadas para roubar, furtar e retirar do povo anos a fio de conquistas sociais, trabalhistas e previdenciárias. E tudo utilizando as táticas dos mais finos criminosos do passado e do presente, da ficção das telas e da realidade do dia a dia das ruas. Quando tomarmos pé da situação, já estaremos fritos. É tudo muito rápido, rápido como quem rouba.

Se observarmos as características de um fino larápio, encontramos o nome e sobrenome para os atuais malfeitores da nossa nação e seu modus operandi. É tudo por baixo dos panos, com apoio da grande mídia golpista e de políticos corruptos. A atenção disputada é o diversionismo com outras manobras que visam iludir o povo utilizando dados maquiados, principalmente de uma economia irreal, na qual o desemprego é informado com fator que aumenta o poder de compra dos brasileiros. É tudo muito rápido, rápido como quem rouba.

Outra característica encontrada nos tempos de Temer é o roubo coletivo no qual vários grupos estão envolvidos, os empresários patos da Fiesp, uma Câmara e Senado repletos de delatados, citados e até já réus em esquemas de corrupção. É um bandido passando para o outro o furto dos nossos direitos trabalhistas, previdenciários e sociais. É tudo muito rápido, rápido como quem rouba.

No final da linha está o povo que, pagando o pato, ainda ajuda e colabora com os “mãos de pluma” do atual grupo que comanda o país. Encontramos novamente aí a grande mídia golpista, Globo, Veja, que, de uma forma geral financiada pelo grande capital, procura dourar a pílula de reformas, propostas e ações eminentemente anti povo do governo Temer. É tudo muito rápido, rápido como quem rouba.

As ações do governo golpista de Temer nos levaram até agora à falência da saúde pública, da educação e de muitos programas sociais com a aprovação da lei do tetos de gastos. Já perdemos também, com a aprovação da proposta da terceirização desbragada, uma série de direitos celetistas e até redução de salários. Agora a luta é contra as reformas, trabalhista e previdenciária. É tudo muito rápido, rápido como quem rouba.

Para terminar esse meu didático texto, só nos resta apelar para os movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos não comprometidos com o golpe e para a sociedade, que agora em grande parte acorda para o que está acontecendo no nosso querido Brasil. Vamos às ruas defender as nossas conquistas e direitos antes que seja tarde. É tudo muito rápido, rápido como quem rouba. Fora Temer!

Arruda Bastos é médico, professor universitário, membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, radialista, ex-Secretário da Saúde do Ceará e um dos coordenadores do Movimento Médicos pela Democracia.

 

pab

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