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Presidente Bolsonaro, comece a governar. Por José Maria Philomeno

Bolsonaro terá governabilidade? Este era um dos mais preocupantes questionamentos quando da confirmação de sua vitória nas eleições presidenciais.

Seu sectário discurso extremante conservador e seu histórico de acirrados enfrentamentos políticos colocaram logo em cheque se o futuro presidente teria capacidade e habilidade para compor uma forte aliança político-partidária que desse a indispensável sustentação congressual à seu governo.

Ainda não chegamos nem aos 100 primeiros dias (prazo considerado mínimo para qualquer avaliação), mas já é mais do que nítido que, ao passo que estamos, a resposta à referida indagação é absolutamente negativa.

Saído de uma acirrada disputa munido de uma pujante popularidade – não se pode menosprezar os 55% de votos obtidos no 2º turno eleitoral, Bolsonaro, em menos de 3 meses de governo conseguiu, pela falta de foco e atitudes agressivas e impróprias externados em seus tuites diários ( e de seus filhos também), a proeza de praticamente aniquilar todo o capital político que as urnas lhe proferiram. Tanto, que, foi o presidente cujos índices de aprovação caíram mais rápida e intensamente desde a posse.

É unânime que no início o presidente ‘pode quase tudo’. O momento de formar maioria com um custo de negociação menor é exatamente este, quando o peso da legitimidade das urnas e a confiança delegada pela população lhe outorgam muita força para impor sua agenda de governo. É o período conhecido como de uma ‘lua de mel’ do presidente com a sociedade, e da qual a classe política não quer pagar o preço de estragar. Depois, a lua de mel vai embora e as negociações se tornam mais complicadas. No caso do governo Bolsonaro, os noivos se desentenderam antes da tão desejada núpcias, e partem para uma desgastante relação.  

A recente crise gerada pelas trocas de farpar entre Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia – este um personagem essencial para a aprovação da principal meta inicial do governo, a reforma da Previdência -, foi o estopim para uma onda de insatisfação e pessimismo em relação às expectativas deste governo obter êxito em sua missão de implementar medidas que possibilitem a tão esperada recuperação da economia brasileira.  

O presidente age como se estivesse ainda em campanha, discursando e atuando em prol de seu enredo eleitoral. Exprime uma total inércia em arregimentar apoio parlamentar aos projetos do seu próprio governo, demonstrando não entender que governar requer estar à frente dos interesses do governo e empenhado com toda a autoridade que lhe é conferida, em favor das pautas importantes para o país. Se o presidente não assumir uma postura pessoal de comandar as ações visando alcançar os objetivos do governo, levará o Brasil à deriva, como parece que já estamos.

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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