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Régis Barros: Meu respeito às Universidades Federais e Públicas

Hoje, eu sou o que sou em decorrência das universidades públicas. Passei uma boa parte da minha vida dentro delas. Somando graduação, residência médica, mestrado e doutorado, passei 16 anos vivendo e transpirando universidade pública. Portanto, cerca de 40% da minha vida foi dentro delas. Eu as vivi nos seus três pilares – ensino, pesquisa e extensão.
Além da própria medicina, transitei por outros cursos da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade de São Paulo (USP). Convivi com outros saberes e compartilhei conhecimentos. Fui professor de dois cursinhos pré-vestibulares da UFC para alunos carentes – Projeto Novo Vestibular (PNV) e Curso XII de Maio. Enfim, sou apaixonado pelas universidades públicas. Um espaço de trocas e repleto de diversidade. Tudo isso enriquece e vai além do aprendizado dos livros e artigos. Um local de ideias difusas e com visões de mundo múltiplas. Quem teve a honra, a sorte e o privilégio de estudar numa universidade pública entende muito bem o que eu estou querendo dizer. Na verdade, a grande maioria dos estudantes de graduação tinha como primeira escolha uma universidade pública. Isso não se dava, somente, pela lógica de gratuidade, mas também de qualidade.
Não estou aqui afirmando que tudo é perfeito nessas instituições. Há sim necessidades de ajustes e de reflexões sobre a práxis. Há métodos de ensino que podem ser melhorados. Há necessidade de diálogo e de criação de critérios para algumas demandas. No entanto, nem de longe, as universidades públicas devem ser apedrejadas. É insano e criminoso atacá-las. O corte de verbas, anunciado pelo Governo Federal, é uma clara retaliação a esses espaços de propagação do pensamento crítico.
Como tudo isso é triste! Que período de trevas nós estamos vivendo. A universidade pública liberta. Agredi-la significa massacrar a liberdade. Por isso, a reflexão de Paulo Freire precisa, aqui, ser ressaltada: “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.
Em função disso, resta-me repudiar essa atitude do Governo Federal e agradecer publicamente as Universidades Públicas. Sou o que sou por causa delas.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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