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Régis Barros: O povo na rua…

Qualquer manifestação popular e pacífica, que aconteça nas ruas, é muito bem vinda. Quando isso acontece, percebemos, mesmo que de maneira discreta, o sopro da democracia. O povo precisa falar sempre que algo o incomoda. E se o coletivo falar nos vários estados e municípios do país, a voz é potente, legítima e ecoará em todos os lugares. Não é o povo que deve temer governos, mas sim os governos que devem temer o povo.

A pauta de hoje é o corte das verbas de educação, sobretudo das instituições federais de ensino. O Governo Federal bate cabeça demonstrando o quanto está perdido. Ora o presidente diz que o corte está suspenso, ora seus ministros e líderes dizem que não e, por fim, o presidente volta atrás da “volta atrás” anterior e deixa tudo igual, ou seja, mantém-se o corte de verbas.

Entendo que as instituições federais e públicas de ensino não são perfeitas. Aceito que melhorias, inclusive de gestão e de prioridade de gastos, sejam necessárias. No entanto, por ter vivido boa parte da minha vida nelas, eu não posso aceitar esse discurso de que elas são retrocessos e atrasos. Não! Isso não é verdade. Isso é um absurdo. Ademais, é cretino aceitar que a melhoria dessas instituições será alcançada com um corte de 30% das verbas destinadas a elas. Isso é perverso. Isso é canalhice. Isso representa uma forma de deixá-las inviáveis a fim de eliminá-las. Isso soa como chantagem a qual já foi anunciada pelo ministro chefe da equipe econômica desse governo. Ele falou mais ou menos assim: “só não haverá cortes se a reforma da previdência passar”. Possivelmente, o governo acredita que a nossa sociedade é composta de covardes semelhantes a ratos repletos de medo.

Que a greve seja um sucesso! Essa é a minha torcida. O Brasil merece isso. Esse governo perdido, também, merece essa resposta. Que ela ressoe nesses ouvidos surdos…

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental.

Régis Eric Maia Barros
Médico psiquiatra, Mestre e doutor em saúde mental pela FMRP-USP e membro do Movimento Médicos pela Democracia.

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