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Doação de órgãos: um ato de amor. Por José Maria Philomeno

Um dos procedimentos da medicina que mais evoluíram nas últimas décadas, o transplante de órgãos humanos, tem alcançado um número cada vez maior de beneficiados. Recurso este que em sua maioria é o único capaz de salvar a vida do paciente, ou, no caso específico de córnea, de preservar sua visão.

Aperfeiçoamento dos profissionais envolvidos e das técnicas cirúrgicas; desenvolvimento de drogas capazes de neutralizar a rejeição e avanços nastecnologias de preservação dos órgãos – da captação até a cirurgia-, são fatores que proporcionaram uma elevação substancial no sucesso dos transplantes de órgãos e tecidos.

O Brasil, apesar de todas as deficiências em seu sistema público de saúde, tem se destacado no que tange a transplante de órgãos. Sendo, atualmente, o segundo país a mais realizar este procedimento, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Neste diapasão, o nosso Estado do Ceará tem se destacado como um centro de excelência. O Hospital Geral de Fortaleza (HGF), o Hospital Universitário Walter Cantídio e o Hospital do Coração de Messejana são referências em transplantes de rins, fígado, pulmão, pâncreas, medula óssea e coração. Em números absolutos somos líderes em transplantes na Região Nordeste e 6º colocados em nível nacional, contudo, detemos a primazia em termos relativos, considerando o número de transplantes por mil habitantes.

Mas nada disso seria possível sem a generosidade dos doadores. Neste sentido, temos que destacar o esforço e eficácia das campanhas públicas de conscientização e a organização e coordenação realizadas pelas autoridades de saúde.

O Estado do Ceará, também, é destacado pelo substancial aumento ano a ano no número de órgãos captados por doação. A coordenadora da Central de Transplantes do Ceará, Eliana Régia, ressalta o resultado positivo de 2018 e declara que a meta é ampliar a capacitação de profissionais para viabilizar mais captações de órgãos no interior do estado. “Isso se deve à predisposição da nossa sociedade em dizer ‘sim’ à doação.

Naturalmente deve-se reconhecer a extrema fragilidade emocional que acomete a família em meio ao sofrimento da perda, e por conseguinte, a enorme dificuldade em permitir à equipe médica que retire partes do corpo, quanto mais, em situações em que o coração do doador ainda bate, mesmo que artificialmente.

É, assim, inevitavelmente um momento em que a razão deve ser considerada. Lembrando que o protocolo para a doação de órgãos requer que pelo menos dois neurologistas, num interregno de no mínimo seis horas, atestem a irreversibilidade da morte encefálica.  

Infelizmente, muitas pessoas aguardam em listas de espera por um órgão, sendo que algumas delas não suportam e vêm a óbito antes de terem a chance de um transplante. Possibilitar que o ante amado que se foi possa contribuir diretamente para a vida e felicidade de outras pessoas é acima de tudo um ato de amor.

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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