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José Maria Philomeno: A importância do agronegócio brasileiro

A economia brasileira está há seis anos praticamente em completa estagnação. Neste período experimentamos a mais duradoura e profunda recessão da história, com consecutivas e colossais quedas no PIB, que após ter crescido minguados 0,5% em 2014, regrediu 3,8% tanto em 2015 quanto em 2016, levando nossa economia a retroceder aos níveis de 2010 e empurrando mais de 14 milhões de brasileiros às filas do desemprego. O PIB de 2017 e 2018 fecharam em pífios 1,0%, e pelo andar da carruagem nem isso alcançaremos em 2019.  

Foram muitos os fatores que levaram a este desastre que marcou os últimos anos de nossa economia. Erros nas políticas fiscal, cambial, monetária e tributária, que culminaram num excessivo endividamento, tanto do Estado quanto das famílias. Resultando na disparadas dos juros e numa espiral de desequilíbrios, descrédito e desinvestimentos. Contudo, o resultado poderia ter sido muito pior não fosse o desempenho do agronegócio.

Enquanto a indústria evaporava – por um ruinoso processo de desindustrialização -, e o comercio e os serviços encolhiam, o setor do agronegócio destoava positivamente, expandindo ano a ano sua fronteira de produção e batendo recordes de produção. Em menos de 10 anos o campo pulou de menos 20% para 23% de participação no PIB, representando 48% das exportações brasileiras. Um verdadeiro ‘oásis’ de crescimento e prosperidade.

Deste 1% de crescimento registrado em 2018, 0,7% foi devido ao agronegócio, que avançou 13% em relação ao ano anterior. Em relação ao emprego, os sinais também são inversos dos demais setores. Pelo menos 200 mil novas vagas tem sido geradas a cada anos nas duas últimas décadas, já chegando a mais de 20 milhões de trabalhadores.

Todo este sucesso deve-se à capacidade competitiva lograda pelo desenvolvimento de tecnologias técnico-produtivas que elevaram intensamente a produtividade, como também ao aprimoramento de gestão do agronegócio, incorporando práticas de avaliação de cenários, pessoas, recursos e infraestrutura envolvidas na produção e logística de armazenamento e distribuição.

O Brasil se tornou, portanto, uma superpotência mundial no agronegócio. Somos hoje, dentre outros produtos, o maior produtor mundial de café, soja, suco de laranja, açúcar e álcool. Temos os maiores rebanhos e somos líderes globais de exportação de carnes (bovino, suína e frango) e na indústria de processamento de proteína animal. Esta primazia além dos benefícios diretos reflete em diversos setores econômicos do País, diretamente ligados aos produtos e subprodutos advindos do agronegócio, como as indústrias alimentícias, têxtil e farmacêutica, por exemplo. Mas um País da nossa magnitude e complexidade não pode depender tanto de um único setor da economia. O campo tem feito sua parte, chegou a hora de despertarmos as demais potencialidades industriais. Um longo caminho e muito trabalho nos espera.

  José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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