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José Maria Philomeno: ‘Paraíba’ com muito orgulho

A recente fala do presidente Jair Bolsonaro referindo-se à Região Nordeste pejorativamente como “Paraíba”, em alusão aos seus governadores, foi um dos atos mais hostis, discriminatórios e ultrajantes já proferidos por um chefe de Estado.

De forma alguma pode-se admitir que o governante maior da nação desdenhe de qualquer parcela da sociedade, principalmente discriminando-os por sua origem e localização. Muito pelo contrário, cabe a um verdadeiro estadista valorizar e colocar-se ao lado de minorias, procurando, assim, em nome da unidade federativa e da harmonia nacional, posta-se de modo a implantar políticas que busquem compensar os desequilíbrios políticos, sociais e econômicos entre as diversas regiões e setores da sociedade.

Esta abominável manifestação do presidente expressa, lamentavelmente, um sentimento de marginalização sobre o Nordeste ainda muito presente, em especial, no eixo Rio-São Paulo. Fruto de um estereótipo que coloca o nordestino como um ser inferior. Não esqueçamos que Jair Bolsonaro é um paulista que emigrou cedo para o Rio de Janeiro.

O Nordeste, mais do que qualquer outra região, enfrentou ao longo de toda a história –  por fatores climáticos e principalmente geopolíticos -, consideráveis desvantagens em relação ao Sul e Sudeste, que ao longo de séculos concentraram poder político e investimentos econômicos, tantono setor produtivo como em infraestrutura pública.

Contudo, em resposta a todos estes obstáculos que a natureza, a opressão e as injustiças nos impuseram, nós nordestinos adquirimos predicados de resistência, perseverança e destemor, em graus muito superiores aos demais compatriotas. Atributos que amparam o fato de que, apesar de todas as mazelas advindas da crise econômica que o País enfrenta nos últimos anos, é a Região Nordeste a que melhor desempenho econômico alcança.

O Nordeste brasileiro, a despeito do descaso do Poder Central, tem crescido muito acima da média nacional. O consumo das famílias, que representa a maior parcela do PIB brasileiro, tem elevado-se no Nordeste 50% a mais que nas demais regiões. Fator que beneficiou em muito a indústria nacional.

Entre as demais facetas da economia nordestina nos últimos anos podemos destacar ser a maior geradora de energia eólica, com mais de 80% da produção nacional; grande desenvolvimento no campo industrial; grande destaque na produção de softwares; o Nordeste é a região brasileira que mais se beneficia do turismo no país, e o destino que mais cresce entre os visitantes, tanto domésticos como do exterior.

Em termos culturais e científicos temos que destacar a relevância dos nordestinos. Terra de nomes como Raquel de Queiroz, Manuel Bandeira, Graciliano Ramos, Luiz Gonzaga, Ariano Suassuna, Jorge Amado, José de Alencar, Clovis Bevilácqua, Rui Barbosa e tantos outros gênios que engrandeceram a formação brasileira.

Como descreveu o carioca Euclides da Cunha: “O Nordestino é antes de tudo um forte”.

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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