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José Maria Philomeno: As lições vindas da Argentina

O então empresário e bem avaliado prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, foi em 2015 eleito presidente da Argentina, garantindo dias melhores com um discurso extremamente liberal.

Sustentou restabelecer a abertura econômica, o realinhamento com economias deprimeiro mundo, a austeridade fiscal, a atração deinvestimentos estrangeiros, o combate rigoroso àinflação, ou seja, políticas distintas das adotadas durante os doze anos dos peronistas Nestor e Cristina Kirchner. Esses que, brigaram com os mercados, promoveram expropriações, controlaram preços, deram calote na dívida externa, medidas estas que provocaram quedasacentuadas no PIB, perda de competitividade, hiperinflação e a disparada do desemprego.

Contudo, as recentes prévias eleitorais ocorridas no último domingo, 11/08, indicam que a chapa em que Cristina Kirchner concorre como vice-presidente pode ganhar a disputa já no primeiro turno nas eleições gerais que ocorrem em 27 de outubro próximo – já que pela legislação, o presidente é eleito no primeiro turno se conquistar mais de 45% dos votos ou se chegar aos 40% e o segundo colocado estiver a mais de 10 pontos de distância. Nestas primárias obrigatórias, ela e o candidato a presidente Alberto Fernández tiveram 47,5% dos votos, enquanto Macri, que tenta a reeleição, somou apenas 32%.

O resultado que projeta a volta do peronismo ao Poder levou à uma derrocada nos índices dos mercados financeiros, com reflexos inclusive aqui no Brasil.

Ou seja, um verdadeiro ‘balde de água fria’ para aqueles que viam na gestão do liberal Macrio início de uma “nova era” de prosperidade na economia argentina. Os bons resultadoseconômicos alcançados no início do governo não conseguiram ser mantidos, tendo a partir do ano passado o país voltado a experimentar recessão econômica, inflação elevada e desemprego alto.

Macri defende-se justificando o quatrocomo reflexo de fatores alheios, como a severa seca que comprometeu a safra agrícola, o impacto externo da elevação dos juros americanos, e a sempre recorrente “herança maldita”.

São pontos relevantes, mas a culpa da atual situação está nas ações e, principalmente,omissões do governo. Macri, demonstrando receio em enfrentar as resistências de setores da sociedade, foi extremamente tímido na implementação da agenda liberal prometida na campanha. Controlou preços, elevou impostos e juros, desvalorizou o peso e adotou um excessivo gradualismo na implementação do ajuste fiscal.

Faltou à Macri a sabedoria dos estadistas. A coragem de pagar o preço da crítica e da impopularidade momentânea em prol da prosperidade futura.

Que Bolsonaro aproveite esta lição dada pelos ‘hermanos argentinos’, para não se transformar no Macri de amanhã.  

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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