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José Maria Philomeno: Educação é a base da economia

Diversas são as razões apontadas por economistas para se tentar entender por que o Brasil, país de tantas potencialidades e que experimentou transformações significativas nas últimas décadas, como a estabilidade monetária e a mobilidade social de milhões, tem, nos últimos anos, apresentado resultados verdadeiramente deploráveis na economia. Temos sido incapazes de reverter o crônico desemprego que amargura quase 13 milhões de famílias, e impotentes em impulsionar qualquer reação consistente na atividade econômica. Enquanto a economia mundial crescerá 3.3% em 2019, o Brasil terá, pelo terceiro ano seguido, uma variação pífia de menos de 1% em nosso PIB.

Muitos atribuem o baixo desempenho de nossa economia à piora das condições externas, como o baixo crescimento das economias avançadas, a moderação da expansão chinesa e a queda nos preços das commodities. Também, ao descrédito do mercado com as políticas econômicas internas, e à instabilidade política e institucional. Ou seja, à questões basicamente conjunturais que contribuíram para um ambiente de aversão dos investidores ao Brasil.

Mas em nossa opinião, mais do que as problemáticas conjunturais, uma questão de fundo estrutural é a causa principal do entrave de nosso desenvolvimento econômico, que vem a ser a péssima qualidade da educação pública ofertada aos brasileiros.  

Todos os países que se desenvolveram priorizaram e investiram pesado na educação, proporcionado ensino de alto nível de forma universal, desde a pré-escola até o nível superior. Os tigres asiáticos, com Coréia do Sul, Taiwan e Singapura são exemplos recentes de países que em poucos anos se tonaram economias pujantes, graças ao investimento maciço em educação de qualidade.

É quase consensual afirmar que o desenvolvimento das forças produtivas tem dependido, cada vez mais, da conjugação de esforços entre ciência e tecnologia. O atual momento do comércio internacional, globalizado, estimula a competitividade entre as empresas em todo o mundo. Desta maneira, incrementa a demanda por educação como forma de preparar o trabalhador para esses novos desafios empresariais.

E, apesar de termos experimentado de fato uma melhora na frequência, com redução da evasão nos ensinos fundamental e médio e um aumento no número de vagas e facilidade de acesso aos cursos universitários e técnicos, na prática, o que os indicadores demonstram é que a qualidade só tem regredido.

O último levantamento apurado mostrou que apenas 26% da população brasileira de 15 a 64 anos é plenamente alfabetizada. O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) da OCDE testou jovens de quinze anos de quarenta países em sua edição de 2017.  Amargamos o último lugar em Matemática, o penúltimo em Ciências e o 37º em leitura.

Muitas empresas tem deixado de se instalar no Brasil por falta de mão de obra especializada.

A educação é fundamental para a transformação de uma nação, os países que não valorizam a ética, otrabalho e a educação em geral, apresentam uma economia frágil. Os rendimentos são inferiores, refletindo em todos os seguimentos, como habitação, saúde, cultura, qualidade e expectativa de vida.

José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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