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Erros na política externa de Bolsonaro. Por José Maria Philomeno

A afirmação de nossa soberania de forma inquestionável e inarredável, a defesa intransigente da autonomia para tomarmos nossas decisões sem influência ou domínio por parte de outros Estados, a busca constante por acordos e parcerias que auxiliem na promoção do desenvolvimento nacional, o respeito à soberania e o não intervencionismo em questões internas de outras nações, a valorização do multilateralismo, são entre outros, os princípios e valores basilares da Política Externa Brasileira, implantadas desde o final do século XIX por aquele que é considerado o pai da diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco. E, sob os quais, pautaram-se majoritariamente as ações e posturas no trato de nossas relações externas, mesmo em períodos de ruptura democrática e institucional, como o Estado Novo (1937-1945) e no Regime Militar (1964-1985).  

E desta forma, o Itamaraty, ao longo dos séculos conseguiu dar uma continuidade em nossa política externa. Ele é visto, pelos analistas, como o ministério brasileiro que tem mais coerência. Somos um dos poucos países do mundo que pode se orgulhar de ter relações diplomáticas com quase toda a comunidade internacional. O que nos proporciona relevante respeitabilidade internacionalmente. Não à toa, o diplomata brasileiro Osvaldo Aranha foi designado para presidir a primeira sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas em 1947, prerrogativa e privilégio que passou a caber, anualmente, ao nosso Chefe de Estado.

Contudo, a política externa até agora demonstrada pelo atual governo Bolsonaro tem destoado desta nossa tradição.

Exemplo maior tem sido o alinhamento praticamente incondicional aos Estados Unidos, e regado à uma reverência excessivamente imprópria ao presidente Donald Trump. O Brasil é historicamente amigo dos Estados Unidos, mas sempre manteve uma distância do país em termos econômicos, de comércio, direitos humanos, e relações com outros países.

Alinhamento este que reveste-seabsolutamente infrutífero para os nossos interesses, atestado pela ausência de contrapartidas do governo americano. Como o caso da recusa dos Estados Unidos em chancelar o ingresso do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e, mais recentemente, a decisão anunciada diretamente por Trump, de retaliar Brasil e Argentina em função da desvalorização de suas moedas, com a majoração de tarifas de importação sobre nosso aço e alumínio.

Outro desvio significativo tem sido a política externa capitaneada pelo ministro Ernesto Araújo, que abandona a noção de isenção do Estado, para a adoção de uma linha ‘hiper-ideologizada.

O apoio declarado do presidente Bolsonaro a reeleição de Macri na Argentina, por afinidades ideológicas, e sua recusa em cumprimentar o oposicionista eleito Alberto Fernandez é o exemplo mais marcante.

Em relação ao nosso posicionamento em relação aos conflitos mundiais, como o árabe-sionista, nossa diplomacia deixou de lado a postura de ‘equilíbrio’ que adotava há mais de 50 anos, passando a uma atitude claramente a favor de Israel.

São estas contradições e distensões que os atuais mandatários brasileiros tem demonstrado ao lidar com as cada vez mais complexas relações internacionais, o que muito preocupa e nos enche de incertezas.

José Maria Philomeno é advogado e economista.

pab

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