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Arruda Bastos: Os meus 64 Natais e os 2019 anos de Cristo

O meu processo de inspiração é meio caótico e, na maioria das vezes, anárquico, sem muita lógica. Em algumas oportunidades é uma música, um acontecimento ou uma recordação inesperada. No Natal desse ano resolvi sentar neste domingo, 22 de dezembro, para encontrar um mote e iniciar a minha crônica do Natal 2019. Em anos anteriores, escrevi: “Natal das crianças e do Menino Jesus”, “ De vovô a Papai Noel, “ A família escolada e o flagra no Papai Noel e, no ano passado, “O primeiro natal do meu netinho Lucca”.

Passei algum tempo matutando, quando não sei bem o motivo resolvi pegar o celular para fazer uma conta. Coloquei em uma parcela o número do ano atual, 2019 e na outra a quantidade de anos que tenho, 64. Eu estava tão distraído, e ainda não sintonizado nas minhas linhas, que o resultado da operação, 1955, me levou a refletir, o que não tem nada de especial ou místico, visto que qualquer pessoa que faça a mesma operação vai encontrar o ano do seu nascimento. Acho que a surpresa foi de cair na real e reconhecer que estou mesmo na melhor idade.

Parei um pouco, dei uma volta, bebi um copo de água e voltei para o computador para tentar entender a minha inspiração inicial com os números. O desafio agora era fazer uma limonada com as laranjas que embaralharam meu raciocínio e escrever a minha crônica com algum sentido. Veio-me, então, a recordação do primeiro Natal e depois sucessivamente de outros. Lembrei dos primeiros presentes, dos carrinhos, da bicicleta, do autorama, do inesquecível Engenheiro Eletrônico que propiciava a montagem de um rádio e equipamentos eletrônicos e muitos outros.

Passei a recordar também das festas, das guloseimas, dos meus pais, avós, tios e primos que se reuniam para comemorar, na época, quando ainda criança, a passagem do Natal. Muitos já não estão entre nós. São lembranças agradáveis de um tempo que não volta mais. Também os locais afloraram na memória: a casa de Baturité, a da avenida João Pessoa, a missa do Galo na Matriz no interior e na Capela do Colégio Juvenal de Carvalho. Depois, já adulto, da casa do bairro de Fátima, e da peregrinação que fazíamos com o carro cheio de presentes, bem como da distribuição das lembrancinhas nos pais da Marcilia, nos meus pais e, ainda, de voltar para preparar o Papai Noel dos nossos filhos.

O tempo passou rápido. Recordo das novenas ainda na casa dos meus pais, depois, com a partida do meu querido pai, a continuidade da tradição ainda na residência da minha inesquecível mãe. Hoje, que já não contamos com nossa matriarca, as novenas continuam acontecendo na casa dos meus filhos e em alguns irmãos. Agora são os netos, a nora e os genros que puxam as festas e congraçamentos. É a linha inexorável do tempo que roda sem parar, renovando-se no dia a dia.

Acho que consegui desenvolver a crônica de forma satisfatória e chegar ao fim com a mensagem de que Natal é renovação e não importa a idade que tenhamos, as dificuldades que enfrentamos, os dissabores e as alegrias que passamos, é no Menino Deus que vamos encontrar amparo para mudarmos o que precisa ser alterado, para amplificarmos o que precisa ser ampliado e forças para ultrapassarmos nossas dificuldades.

É mais um Natal que chega, agora o meu de número 64, o de 2019 de Cristo e o seu, meu leitor, qualquer que seja sua idade, não esqueça, nesse Natal, que Deus, quando nascemos, nos presenteou com um pacote de sementes do bem e nele tem escrito: plante, regue, cultive e colha ao longo da sua vida, a sua missão é de levar o amor e a paz para todos os homens. Feliz Natal!

Arruda Bastos é médico, professor universitário e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores do Ceará.

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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