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José Maria Philomeno: Ninguém quer guerra no Oriente

O recente aprofundamento da crise entre Estados Unidos e Irã, deflagrado com o assassinato pelos americanos do general QasemSoleimani, e que culminou com o ataque de mísseis do Irã a bases americanas no Iraque,colocou o mundo em alerta, temendo que a escalada das ações militares chegasse a dimensões incontroláveis, levando a uma guerra de enormes proporções no Oriente Médio.

A região já é um caldeirão fervilhando de embates históricos, em decorrência de dissensões religiosas, étnicas, econômicas e territoriais. Conflitos estes cujos efeitos extrapolam as fronteiras sionistas, árabes e persas. A intolerância e o radicalismo impregnados no seio destes conflitos pulverizam em manifestações violentas em diversas outras partes do mundo, em especial em países de maioria mulçumana e, também, em nações ocidentais que nos últimos tempos ocuparam ou tiveram presença e influência marcantes na região, como os Estados Unidos, França e Reino Unido.  

Contudo, os desdobramentos dos conflitos sucedem-se em face às circunstâncias próprias de cada momento. Razão pela qual todos comungam com a certeza de que tanto os Estados Unidos quanto o Irã farão de tudo para evitar a escalada de uma guerra.

Os ataques do Irã às bases americanas, que segundo especialistas, foram meticulosamente calculados para evitar mortes de militares americanos, pode ser entendido muito mais como uma forma do governo dar satisfação ao clamor popular interno pela morte de Soleimanique ocupava o cargo de comandante da Guarda Revolucionária do Irã e era reputado como herói nacional. Sendo, assim, uma mensagem clara de que os iraniano não intentam qualquer escalada bélica contra os Estados Unidos.

Envolto numa profunda crise econômica, devendo pelo segundo ano consecutivo ter seu PIB decrescido em quase 10%, com graves repercussões negativas na sociedade que tem veemente protestado contra o alto desemprego e a elevação de preços, inclusive da gasolina, o governo dos aiatolás teme pelo agravamento econômico que uma guerra contra os Estados Unidos traria, levando, inclusive, à eclosão de insurgências internas insustentáveis.

Portanto, ao contrário de guerrear, o sonho do governo iraniano é a retomada do diálogo com os ‘ianques’, visando o levantamento das sansões econômicas que já provocaram queda em 75% de suas exportações de petróleo. O governo de Trump adotou uma estratégia de “pressão máxima” para debilitar a influência regional do regime teocrático de Teerã, inclusive iniciativas para cortar todas as vendas de petróleo iraniano.

No mesmo sentido, o governo dos Estados Unidos manifesta total desinteresse em colocar o país em uma guerra neste momento. Trump é convicto que as baixas de soldados americanos provocaria uma desgastante onda de críticas e protestos, como também atingiria muito negativamente a economia global e do próprio Estados Unidos, comprometendo, em ano eleitoral, mais ainda sua dificultosa campanha para reeleição.  

Desta feita, podemos esperar que ao invés de balas e mísseis Trump continue apenas desferindo as armas com as quais é mestre: a afiada língua e suas ferinas digitais no Twitter.

 José Maria Philomeno é advogado e economista

pab

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