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Eu não sou um parasita. Por Régis Barros

Inicio essa pequena reflexão com os significados do vocábulo parasita, segundo o dicionário da língua portuguesa.

1- biologia, que vive à custa de outro ser vivo, a quem prejudica de alguma forma
2- figurado, pejorativo que vive à custa de outrem
3- figurado, pejorativo inútil; supérfluo

Sou servidor público desde 2001 quando adentrei na residência médica no estado de São Paulo. De lá para cá, em todos os anos seguintes até o dia de hoje, continuei sendo servidor público. Fui servidor público concursado em pequenas cidades do estado de São Paulo e servidor público da saúde pelo estado de São Paulo. Há 12 anos sou servido público federal. Em toda a minha história de médico psiquiatra sempre estive exercendo essa função no serviço público. Portanto, mesmo não sendo tão velho, sou servidor público há aproximadamente 20 anos.

Quando vejo um ministro de estado comparar o servidor público a um parasita, sinto uma mescla de asco e revolta. Quão cretina é essa fala. Quão escrota e oportunista é essa manifestação. Um desejo de colocar no lombo do servidor público a culpa pelo caos que assola esse país. Um desejo explícito de colocar a população e a opinião pública contra o servidor público. Uma generalização perniciosa e perversa.

Claro que há servidores públicos ruins. Claro que há unidades de serviços públicos ineficientes e que precisam de melhorias. Claro que temos serviços públicos que demandariam melhorar sua produtividade. Aceito isso sem nenhum problema. Concordo que está errado e precisa mudar. No entanto, propor que isso é universal é de um oportunismo massivamente sociopático. Respeito! Essa palavra falta na concepção do referido ministro, ou melhor, desse governo horroroso. Que se melhorem os serviços públicos que possuem problemas de funcionalidade e produtividade. Que se punam os servidores que não exercem suas funções com zelo e compromisso. Todavia, respeitem-nos. Na verdade, vale ressaltar que o parasitismo fica mais bem exemplificado quando temos um modelo de relações milicianas com um judiciário que faz política e não exerce justiça de forma imparcial. Quando temos discursos neofascistas, excludentes e preconceituosos. Quando temos reformas que assolam os mais desfavorecidos e os vulneráveis, mas que, em contrapartida, protegem os mais abastados. Isso sim, excelentíssimo ministro, define melhor o termo “PARASITA”.

Régis Eric Maia Barros é médico psiquiatra, mestre e doutor em saúde mental

pab

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