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Diário de uma quarentena (6º dia). Cabeça oca, vazia de tudo, sem pensamento. Por Arruda Bastos

Acordei, como sempre, perturbado com as últimas notícias e os números da Covid-19 no Ceará e no Brasil. O pronunciamento do presidente Bolsonaro em cadeia de rádio e televisão também contribuiu para a minha insônia. Mesmo sem encontrar Orfeu, cedinho já estava de pé, pois tinha certeza que seria demandado a redigir e assinar uma série de notas de desagravo.

Já havia decidido que as minhas crônicas da quarentena não vão tratar de assuntos políticos, tema que também escrevo, mas não vou publicar agora, só mesmo depois de tudo acabar. O problema de hoje é que estou com a cabeça oca, vazia de tudo e sem nenhuma inspiração. Parece até que me fizeram uma lavagem cerebral.

Fui, então, ler em busca de algum mote. Encontrei, nessa busca, que, no século 17, o físico britânico Isaac Newton disse que o tempo e o espaço eram independentes, ao que Einstein afirmou que, na verdade, o tempo e o espaço estão intimamente conectados e o que os une – e que nos permite observar isso – é a velocidade da luz.

Li também que nada pode ir mais rápido, porque essa é a velocidade do próprio tecido do espaço-tempo. E a luz viaja a essa velocidade. Não é que a luz seja especial nesse sentido, é a própria velocidade que é especial em nosso Universo. Pode haver outros universos nos quais a velocidade máxima seja diferente. Que quarentena!

Em outra busca, pesquisando por “cabeça oca”, encontrei o livro de Christie Queiroz intitulado “Cabeça Oca no Mundo de Cora Coralina” que é protagonizado pelo garoto traquina e sua turma. No livro, os personagens Cabeça Oca e Pião têm um trabalho escolar para fazer – Cora Coralina é o tema – o que deixa os dois bastante apreensivos. O resto,  só digo quando ler o livro, depois de mais alguns dias.

Nesse período de quarentena, o que eu faço com frequência e aconselho a todos é lavar as mãos com água e sabonete ou limpar bem com álcool em gel. Não sei se a inspiração está saindo pelas mãos. Será que o hábito, agora obrigatório e de fundamental importância para o combate do coronavírus, também pode lavar o cérebro por tabela?

A resposta talvez esteja no psicológico e no cuidado de lavar no tempo certo cantando por duas vezes o “parabéns para você”. Primeiro, a palma da mão, depois o dorso, entre os dedos, a ponta dos dedos, o polegar e o pulso. De tanto lavar e cantar, já estou ficando rouco e com a pele bem fininha.

Mas o que tem Isaac Newton, Einstein, a velocidade da luz e o livro “Cabeça Oca no mundo da Cora Coralina” com a minha crônica do sexto dia? Respondo que nada ou talvez por misturar personagens reais e da ficção. É nesse mundo que estou vivendo: realidade e muita ficção.

Se meu leitor não entendeu nada na crônica de hoje, não fique preocupado, pois eu digo que eu também não e que estou escrevendo o que dá na telha, mesmo com a cabeça oquinha.

Amanhã eu volto com uma nova crônica.

Este foi o dia nº 6. #FiquemEmCasa

Arruda Bastos é médico, professor universitário e presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES-CE).

Ilustração da internet. Página do Reinaldo Azevedo

Arruda Bastos
Médico, professor universitário dos cursos de Medicina e Enfermagem, especialista em Gestão em Saúde e Saúde Pública, escritor, radialista, ex-Secretário da Saúde do Estado do Ceará e coordenador do Movimento Médicos pela Democracia.
http://www.portalarrudabastos.com.br

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